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Boto é encontrado morto com calcinha presa as nadadeiras

Foto: Projeto de Monitoramento de Praias/BS Univille/Reprodução

Um boto-cinza foi encontrado morto com uma calcinha presa às nadadeiras peitorais em Itapoá, no Norte catarinense. O resgate do animal foi feito pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP/BS Univille) no último domingo (16), mas o fato só foi divulgado pela entidade nesta sexta-feira (21).


Amostras foram coletadas para a realização de análises complementares para confirmar a causa da morte.


Contudo, a equipe de veterinários acredita que o tecido preso tenha influenciado no quadro clínico geral de debilidade crônica do animal, comprometendo a natação, dificultando a pesca e diversos outros hábitos realizados pelo boto.


De acordo o projeto, o boto-cinza, ou Sotalia guianensis, encontrado morto na praia do Pontal se tratava de uma fêmea juvenil. Ela tinha aproximadamente 1,4 metro de comprimento e pesava 32,2 quilos. A calcinha, segundo os pesquisadores, estava presa "de forma profunda", a nível cutâneo e até ósseo.


Segundo a médica-veterinária Giulia Gaglianone, a suspeita é que o boto tenha se enroscado no tecido quando era mais jovem.


"O tecido foi cortando a pele de tal forma que a pele cresceu sobre a tira de pano. Quando as bordas da pele se tocaram, iniciaram o processo de cicatrização, mas a presença do pano manteve as lesões fistuladas, ou seja, abertas", informou a pesquisadora.


Além da lesão causada pelo tecido, o animal apresentava sinais de debilidade crônica como magreza, pneumonia severa e grande quantidade de parasitas em parte do ouvido e nos pulmões.


O boto apresentava ainda marcas de emalhe de rede de pesca ao redor do rosto e do orifício respiratório.


Descarte incorreto de lixo

Com a situação do boto, o Projeto de Monitoramento fez um alerta sobre o descarte incorreto de lixo. Segundo os pesquisadores, o processo de decomposição de tecidos é lento. No caso de tecidos naturais, como o algodão, o linho e a seda, ele pode durar meses. Mas quando se trata de tecidos sintéticos, como o poliéster, o processo pode chegar a centenas de anos.


"Nos oceanos, os tecidos agem como “redes de pesca”, capturando incidentalmente, emalhando e matando diversas espécies marinhas", informou o projeto.


Da redação do Blog Brejo Notícias


*Com informações do G1

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