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Depois de aranhas gigantes, infestação de escorpiões assustam moradores em Belo Horizonte

Foto: Alex de Jesus

Dentro da máquina de lavar, na porta, na toalha pendurada no banheiro e no chão. Esses são alguns exemplos de locais onde moradores da rua Joviano de Paula Estrela, no bairro Jaqueline, na região Norte de Belo Horizonte, acharam escorpiões amarelos. A infestação desses bichos já ocorre há mais de dez dias. Moradores acreditam que os animais saiam de dentro do Cemitério Bosque da Esperança.

 

Nesse período, apenas na casa da vendedora Maricelle de Freitas Menezes, de 42 anos, oito animais foram encontrados. “Estamos aqui há um ano e, desde então, aparecem os escorpiões. Nos últimos dias está pior, só eu achei três, e meu marido, mais uns cinco. Os que eu encontrei estavam na área de serviço, fui estender roupa e achei na máquina. Minha irmã foi colocar a mão na porta e viu outro, em dias diferentes. Ficamos com medo, fomos ao posto de saúde, mas disseram que a gente precisa ligar para a Zoonoses”, contou.


O medo das picadas é recorrente na vizinhança, principalmente nas residências onde vivem crianças e idosos. A fotógrafa Bárbara Barbosa dos Santos, de 29, tem uma filha de 4 anos e reclama de um cemitério próximo à casa dela. Os moradores acham que o estabelecimento tem relação com a infestação. “O grande problema do cemitério sempre foram as queimadas. O muro é vazado, e o trânsito de bichos é grande. Falam que há acúmulo de lixo; se tem lixo, a obrigação deles é resolver”, desabafou.


Cemitério afirma que faz dedetização

 

O diretor do Cemitério Parque Bosque da Esperança, Ricardo Ribeiro, informou que a área é dedetizada a cada 15 dias. “As informações dos moradores não procedem. Os vizinhos do cemitério têm uma atitude muito pouco civilizada: jogam, além do lixo normal, pedaços de sofá, televisão velha e outras coisas (na área do estabelecimento). Em março, tiramos quatro carretas de lixo e já há lixo outra vez”, disse.


Ribeiro informou ainda que o valor gasto com a dedetização é uma das maiores despesas do estabelecimento. “ Como alguém pode afirmar que o escorpião saiu do Bosque? A população ali ao redor deveria apoiar e valorizar o cemitério que tem área verde e preserva a fauna”.


O diretor também negou que pessoas ligadas ao cemitério promova queimadas. “É feita pelos vizinhos que jogam fogo no nosso terreno”, finalizou.

 

O que diz a prefeitura?


A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, por meio de nota, que a Secretaria Municipal de Saúde não recebeu demanda formal com relação aos escorpiões do bairro Jaqueline. Uma equipe de controle de zoonose seria acionada para realizar uma vistoria na área do Cemitério Bosque da Esperança e adjacências. Sobre o Cemitério da Consolação, que fica próximo ao Bosque da Esperança, a PBH afirmou que não há ocorrências com escorpiões.

 

Mais de 400 situações

 

O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência no tratamento de picadas de escorpião, realizou 429 atendimentos relacionados com o animal até o dia 29 de abril deste ano. Em 2020, foram 1.717 casos – sendo que três pessoas morreram devido ao contato com o bicho. Já em 2019, foram 1.839 atendimentos e cinco óbitos.


A dona de casa Maria Ferreira, de 76 anos, que mora no bairro Jaqueline, foi picada no ano passado. “Fui para o banheiro tomar banho e, quando peguei a toalha, o escorpião estava na parede”, contou. Quando ela foi tentar pegar o animal, ela foi picada. A mão e o braço da idosa ficaram inchados. Ela foi levada para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII.

O coordenador da Toxicologia do Hospital João XXIII, Adebal Andrade Filho, disse que os escorpiões são atraídos para onde há abrigo (caixas e escombros) e alimento (insetos).


Da redação do Blog Brejo Notícias


*Com informações do Portal O Tempo

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